O Fluminense, fundado em 1902, sendo o time da elite e aristocrática da então capital federal(e do qual,ironicamente,derivou o futebol do Flamengo,seu algoz nesse fim de semana),sempre gostou(e até os dias de hoje gosta) de afirmar que tem como um dos pilares da formação da sua identidade a “fidalguia”(palavra que,nesse caso,tem seu significado mais adequado na definição 4 do dicionário virtual Michaelis).Pois bem, esse nobre(sem trocadilho)comportamento que historicamente norteou o clube desde os seus primeiros anos de amadorismo(a ponto de ter chegado ao extremo de vencer um torneio,e semanas depois,ao notar que,involuntariamente,havia desrespeitado 1 termo do regulamento sem que ninguém notasse,devolveu a taça abrindo mão,assim,do título conquistado)em sua história recente tem sido deixado de lado em
alguns momentos, sempre de maneira desastrada e na maioria das vezes impensada,por parte de técnicos e dirigentes. E coincidência ou não,sempre que se esquece desses valores e o troca por declarações de cunho provocativo ou de desdém e desprezo a seus adversários, o Fluminense sempre acaba por ser vítima de sua própria língua.
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Durante a semana que precedeu o clássico, o presidente do clube, Roberto Horcades, ignorando ou esquecendo dos valores próprios de seu time,deu uma declaração dizendo que em decisões contra o Fluminense,o Flamengo”treme”.Tal afirmação,provavelmente baseada no histórico de vitorias tricolores em finais contra os rubro-negros(com 12 confrontos e 8 vitórias do time das Laranjeiras),naturalmente não só não foi bem digerida pelas bandas da Gávea(catalizada pela ampla divulgação na mídia,como é habitual da imprensa esportiva carioca) como se transformou em combustível para o adversário que,com uma determinação rara de se ver no futebol nos dias de hoje,partiu para cima do Tricolor e o derrotou com autoridade por 1 x 0.
Não muito distante disso,no ano passado,o Fluminense,com brilhante campanha,avançava às fases finais da Copa Libertadores da America,sendo o primeiro colocado geral na fase de grupos.Após ter derrotado o São Paulo(tricampeão da competição)e o todo poderoso Boca Juniors(7 vezes campeão e time argentino somente derrotado pelo Santos de Pelé -até então-),chegou,com todos os méritos, à sua primeira final do torneio continental de clubes após disputar jogos épicos nas quartas e semi-finais,que foram acompanhados por todo o país e aumentaram também a popularidade do time em todo o globo(não foi raro italianos e húngaros,por exemplo,buscarem a camisa do tricolor para comprar em lojas de seus países motivados,entre outras coisas,pela proximidade das cores do Flu e de suas bandeiras).

Eis que então surge a figura do técnico Renato Gaúcho(conhecido por ser polêmico desde os tempos de jogador)disparando,do alto de sua soberba, frases carregadas de veneno e arrogância contra times brasileiros que se encontravam a frente do tricolor na tabela do campeonato nacional(dizendo que o Flu “iria brincar” quando entrasse com força total no torneio),bem como para seu oponente na final(a LDU,do inexpressivo futebol equatoriano),dizendo que faria tantos gols quantos fossem necessários para ser campeão da América(ao ter que reverter vantagem de dois gols ao perder o jogo de ida em Quito).No fim das contas,novamente a soberba de pessoas ligadas ao Flu saiu pela culatra,primeiro com toda a opinião publica(antes simpática à trajetória do time no campeonato)se voltando contra o tricolor,com alguns inclusive se dispondo a torcer contra o Flu apenas para,em caso de derrota do mesmo,ter a satisfação de ver seu falastrão treinador na lona.E por último com a LDU vencendo o time carioca nos pênaltis em um Maracanã lotado,e se sagrando campeã da Libertadores 2008 diante de uma torcida primeiro festeira e por fim,atônita.
Esses dois exemplos, em um espaço tão curto de tempo e por pessoas do meio do futebol (que ao menos em teoria,deveriam saber o quão grande é a repercussão de uma declaração proveniente da cúpula de qualquer time grande do Brasil,inclusive o Fluminense) não me dão a possibilidade de pensar em inocência,já que Horcades e Renato não são novatos no meio.Não consigo pensar em outra possibilidade que não desrespeito às tradições do clube com intuito buscar autopromoção,holofotes, num comportamento digno de dirigente amador de clube amador(cujas declarações não chegam nem na esquina de suas ruas). Isso tudo somado ao fato de que nem mesmo o fiasco do clube na final da Libertadores de 2008 parece ter sido capaz de alertar ao mandatário tricolor sobre o quão danoso pode ser fazer declarações descuidadas às vésperas de jogos importantes,o que sugere total despreparo para as funções que são atribuídas a alguém que fala em nome de um time,de um clube,de uma instituição centenária e de uma legião de (10)milhões de torcedores Brasil e mundo afora.
Nelson Rodrigues,grande cronista esportivo e tricolor incorrigível, certamente teria morrido de desgosto ao acompanhar tanto nos dias que o antecederam como durante o clássico “que começou quarenta minutos antes do nada” e o comportamento de seu Fluminense dentro e fora de campo.Não sem antes classificar de “canalha” todos aqueles que mancham a imagem do clube do seu coração.
Obs:Sim,de agora em diante,o blog conterá posts de quaisquer assuntos considerados interessantes de se abordar,por parte deste que vos fala,inclusive futebol.







