Fiquei sabendo por esses dias que os três troféus dos 3 brasileiros conquistados pelo Flu iriam ser expostos em Álvaro Chaves e soube também que a sala de troféus estava sendo reformada(com orçamento estimado em 250mil reais) e iria ser entregue em breve.Fiquei ansioso para ver o resultado desta feliz coincidência, nossa sala reaberta e a exposição da taça do tri junto com as anteriores.
Tão logo reinauguraram-na, fui procurar imagens na internet.Imaginem qual não foi minha decepção quando vi a sala de troféus do Flu ser reaberta ao público e bati os olhos naquela coisa terrível que deveria ser o grande hall da celebração das nossas conquistas . Móveis antiqüíssimos pintados num tom verde “cocô de neném” (dizem que alguns estavam calçados com papelão pra não tombar...francamente) com as taças dentro e as inscrições do que era cada uma escritas ‘a mão’ feito cartaz de supermercado.
Contrariando a 'lei de Tiririca',havia um erro CRASSO de concordância, num dos "armários"(sim,isso não é vitrine nem aqui nem na China...) estava escrito "campeonatos brasileirO" e como se não bastasse,o chão estava com aspecto de imundo e as taças estavam separadas do público por um vidro comum,ao invés de um anti-reflexo(qualquer museu que permite que se bata foto tem um desses). Resumindo,nenhum cuidado, nenhum capricho. Parecia que tudo tinha sido feito ‘nas coxas’,pra dar tempo de reabrir antes de acabar a atual gestão(coisa bem típica de político, inaugurar sem estar pronto,afinal, a posteridade não vai saber disso,vale a data que ta escrita na plaquinha e pronto,ué).
Pior, a taça da Copa do Brasil(que de branca passou a parda,de tão mal cuidad) que ganhamos em 2007 estava ALTERADA(isso mesmo,ALTERADA!!) algum engraçadinho METEU A MÃO NA TAÇA na hora de bater foto(como deixaram isso?) e a quebrou e ao invés de consertarem ou tirarem de lá até fazerem um reparo,não,puseram 1 esfera falsa em cima da base da taça e ficou por isso mesmo. Tragi-cômico.
Imediatamente, duas coisas vieram à minha cabeça. A primeira foi ”que vergonha,não é possível que tenham feito isso de verdade” e a segunda foi ”como assim 250 mil gastos pra...isso?”.Depois quando reli a reportagem e revi as imagens vexatórias de uma sala de troféus que seria fantástica se fosse pra um time de várzea, fiquei pensando que este ridículo(o ultimo da gestão Horcades) na verdade não era o problema ,em si,e sim o sintoma. O Flu se encontra num momento de crise não apenas financeira e institucional(ao invés de ser 1 clube que tem 1 patrocinador,tá quase virando 1 patrocinador que tem um clube, mas uma crise existencial.Sim,a questão é quase filosófica, eu diria.
O Flu, tão apegado a ‘santas nostalgias’(como diria Nelson Rodrigues)e sabedor do enorme lastro que tem em relação à sua grande tradição, TEM IMENSA dificuldade em conciliar a tradição e a modernidade (o que não deixa de ser irônico,já que sempre foi a vanguarda), como se andar pra frente fosse deixar de ser o que se é e perder o que se tem de bom. O episódio nefasto deste post não poderia exemplificar melhor esse fato.A idéia de que somos a fidalguia e devemos manter viva a nossa história não tá errada,mas pensar que as coisas teem que ser congeladas e que o que era bom pra nós antes vai ser pra sempre o melhor,isso sim ta totalmente equivocado. O mundo mudou,o futebol mudou,e o Fluminense...o Fluminense mudou?
Se nossa tradicional sede merece ser preservada e cuidada pra que fique sempre o mais perto possível da originalidade,o mesmo não se pode dizer da sala de troféus. Qualquer um que se propõe a capitalizar em cima do que tem de mais importante (sua história e conquistas)tem que entender que o torcedor de hoje não vai se contentar com qualquer coisa,e vai querer uma sala moderna,SIM,com recursos audiovisuais,SIM,e com tudo o mais que tem direito,sobretudo o básico: uma boa apresentação e organização.
Dificil?Parece que sim, ao menos pra mentalidade ”brilhante” das cabeças pensantes de Álvaro Chaves,que devem cheirar a mofo e/ou formol.Enquanto todos se modernizam,nosso time se apega fervorosamente ao passado ignorando que o caminho é o futuro. O século XXI já começou, tá terminando sua primeira década, inclusive, que tal acompanhá-lo, Fluminense?O momento não poderia ser mais propício.