Terça-feira, 14 de Abril de 2009

VIVENDO E NÃO APRENDENDO

Quem assistiu à semi final da Taça Rio(segundo turno do campeonato estadual do Rio de Janeiro) entre Flamengo e Fluminense e acompanhou também toda a cobertura sobre a mesma na semana anterior provavelmente viu um filme cujo final já foi exibido antes.Sim,para muitos que acompanham futebol,e em especial para este que vos fala(pelo fato de ser torcedor do Fluminense desde antes de se entender por gente),bateu um”deja-vu” impossível de se ignorar.Não que a vitória do Flamengo em uma etapa decisiva do estadual tenha sido o fato repetido e recorrente nessa historia toda(já que em decisões entre os clubes,a vantagem tricolor é bastante grande,embora no histórico geral dos confrontos,o clube da Gávea tenha ligeira vantagem – pouco mais de 10 vitórias,em mais de 70 anos de rivalidade-),o que se repetiu neste domingo de páscoa ,na verdade,foi o modo em que todo o enredo da partida se desenvolveu.

O Fluminense, fundado em 1902, sendo o time da elite e aristocrática da então capital federal(e do qual,ironicamente,derivou o futebol do Flamengo,seu algoz nesse fim de semana),sempre gostou(e até os dias de hoje gosta) de afirmar que tem como um dos pilares da formação da sua identidade a “fidalguia”(palavra que,nesse caso,tem seu significado mais adequado na definição 4 do dicionário virtual Michaelis).Pois bem, esse nobre(sem trocadilho)comportamento que historicamente norteou o clube desde os seus primeiros anos de amadorismo(a ponto de ter chegado ao extremo de vencer um torneio,e semanas depois,ao notar que,involuntariamente,havia desrespeitado 1 termo do regulamento sem que ninguém notasse,devolveu a taça abrindo mão,assim,do título conquistado)em sua história recente tem sido deixado de lado em
alguns momentos, sempre de maneira desastrada e na maioria das vezes impensada,por parte de técnicos e dirigentes. E coincidência ou não,sempre que se esquece desses valores e o troca por declarações de cunho provocativo ou de desdém e desprezo a seus adversários, o Fluminense sempre acaba por ser vítima de sua própria língua.





Durante a semana que precedeu o clássico, o presidente do clube, Roberto Horcades, ignorando ou esquecendo dos valores próprios de seu time,deu uma declaração dizendo que em decisões contra o Fluminense,o Flamengo”treme”.Tal afirmação,provavelmente baseada no histórico de vitorias tricolores em finais contra os rubro-negros(com 12 confrontos e 8 vitórias do time das Laranjeiras),naturalmente não só não foi bem digerida pelas bandas da Gávea(catalizada pela ampla divulgação na mídia,como é habitual da imprensa esportiva carioca) como se transformou em combustível para o adversário que,com uma determinação rara de se ver no futebol nos dias de hoje,partiu para cima do Tricolor e o derrotou com autoridade por 1 x 0.

Não muito distante disso,no ano passado,o Fluminense,com brilhante campanha,avançava às fases finais da Copa Libertadores da America,sendo o primeiro colocado geral na fase de grupos.Após ter derrotado o São Paulo(tricampeão da competição)e o todo poderoso Boca Juniors(7 vezes campeão e time argentino somente derrotado pelo Santos de Pelé -até então-),chegou,com todos os méritos, à sua primeira final do torneio continental de clubes após disputar jogos épicos nas quartas e semi-finais,que foram acompanhados por todo o país e aumentaram também a popularidade do time em todo o globo(não foi raro italianos e húngaros,por exemplo,buscarem a camisa do tricolor para comprar em lojas de seus países motivados,entre outras coisas,pela proximidade das cores do Flu e de suas bandeiras).





Eis que então surge a figura do técnico Renato Gaúcho(conhecido por ser polêmico desde os tempos de jogador)disparando,do alto de sua soberba, frases carregadas de veneno e arrogância contra times brasileiros que se encontravam a frente do tricolor na tabela do campeonato nacional(dizendo que o Flu “iria brincar” quando entrasse com força total no torneio),bem como para seu oponente na final(a LDU,do inexpressivo futebol equatoriano),dizendo que faria tantos gols quantos fossem necessários para ser campeão da América(ao ter que reverter vantagem de dois gols ao perder o jogo de ida em Quito).No fim das contas,novamente a soberba de pessoas ligadas ao Flu saiu pela culatra,primeiro com toda a opinião publica(antes simpática à trajetória do time no campeonato)se voltando contra o tricolor,com alguns inclusive se dispondo a torcer contra o Flu apenas para,em caso de derrota do mesmo,ter a satisfação de ver seu falastrão treinador na lona.E por último com a LDU vencendo o time carioca nos pênaltis em um Maracanã lotado,e se sagrando campeã da Libertadores 2008 diante de uma torcida primeiro festeira e por fim,atônita.


Esses dois exemplos, em um espaço tão curto de tempo e por pessoas do meio do futebol (que ao menos em teoria,deveriam saber o quão grande é a repercussão de uma declaração proveniente da cúpula de qualquer time grande do Brasil,inclusive o Fluminense) não me dão a possibilidade de pensar em inocência,já que Horcades e Renato não são novatos no meio.Não consigo pensar em outra possibilidade que não desrespeito às tradições do clube com intuito buscar autopromoção,holofotes, num comportamento digno de dirigente amador de clube amador(cujas declarações não chegam nem na esquina de suas ruas). Isso tudo somado ao fato de que nem mesmo o fiasco do clube na final da Libertadores de 2008 parece ter sido capaz de alertar ao mandatário tricolor sobre o quão danoso pode ser fazer declarações descuidadas às vésperas de jogos importantes,o que sugere total despreparo para as funções que são atribuídas a alguém que fala em nome de um time,de um clube,de uma instituição centenária e de uma legião de (10)milhões de torcedores Brasil e mundo afora.

Nelson Rodrigues,grande cronista esportivo e tricolor incorrigível, certamente teria morrido de desgosto ao acompanhar tanto nos dias que o antecederam como durante o clássico “que começou quarenta minutos antes do nada” e o comportamento de seu Fluminense dentro e fora de campo.Não sem antes classificar de “canalha” todos aqueles que mancham a imagem do clube do seu coração.


Obs:Sim,de agora em diante,o blog conterá posts de quaisquer assuntos considerados interessantes de se abordar,por parte deste que vos fala,inclusive futebol.


Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

HABEMUS OBAMA



Na última terça-feira, um acontecimento de grandes proporções fez parar o mundo, e ao contrário do que possa parecer, não, não foi o feriado de São Sebastião, aqui no Rio. Brincadeiras à parte, para qualquer um que não viva isolado do mundo, seria impossível seria ignorar a posse de Barack Obama como presidente dos EUA que ocorreu no dia 20 de janeiro em Washington D.C., que dirá para este que vos fala. Sob uma temperatura abaixo de zero, uma multidão estimada em mais de 2 milhões de pessoas foi assistir à posse de Obama certa de que estava vendo uma página da história americana sendo escrita, multidão esta que estava obviamente coberta de razão.

Se formos lembrar que até a década de 1960 os negros norte-americanos eram alvo de discriminação aberta e aos mesmos não era permitido qualquer direito civil (tendo conseguido tais direitos à custa de muita luta), sim, o fato de um negro (bem, no Brasil, isto seria muito contestável – e certamente levaria o post de hoje para um outro rumo - embora nos EUA, Obama seja tratado como negro, de maneira geral sem muitas ressalvas) ter chegado ao posto de presidente do país mais importante do mundo é, sim, algo incrível. Incrível não só pelo que isso significa como também pela forma que Obama surgiu meteoricamente dentro do cenário político de seu país até alcançar a presidência.

Obama era um desconhecido na política dos EUA até menos de 5 anos, quando trabalhava nas áreas pobres da cidade de Chicago como líder comunitário de um grupo ligado à Igreja e a esta altura tinha prestígio apenas local. Em 1996, acabou sendo eleito para o Parlamento de seu estado(algo como deputado estadual aqui no Brasil), sendo reeleito em 2000. A partir de 2004, porém, Obama passou a ganhar projeção nacional ao ser eleito senador pelo Estado de Illinois e a fez crescer ao participar de eventos de seu partido nas eleições parlamentares de 2006. Desde então, Obama surpreendeu a analistas políticos, pelo fato de disputar já em 2008 as prévias do Partido Democrata, já que ao arriscar uma candidatura, seria muito grande o risco de perder a disputa para Hillary Clinton.

O perfil de Hillary, muito mais experiente e com grande aceitação em várias camadas da sociedade americana (seja pelo fato de ser mulher, seja pelo fato de ser casada com o ex-presidente Bill Clinton, ainda bastante popular para muitos americanos), fazia parecer que o candidato não teria nenhuma chance, sendo o mesmo inclusive tido como o candidato ideal pelos democratas para as próximas eleições de 2012, por ser ainda jovem e ter uma longa trajetória política pela frente. No entanto, Obama levou a disputa até os 45 do segundo tempo e conseguiu a indicação democrata de maneira surpreendente para muitos. Feito maior que este seria alcançado meses depois, ao vencer o republicano John McCain com tamanha diferença de votos oriundos dos delegados dos estados norte-americanos, e se tornar o primeiro negro a governar os EUA.

Tendo passada a euforia da “OBAMA-MANIA” e da posse apoteótica de terça-feira, o que se pode efetivamente esperar do novo governo norte-americano?? Tirando a parte econômica, em que se sabe que o novo governo tentará reaquecer a economia a todo custo (seja com isenção de impostos para incentivar o consumo, seja com injeção de dinheiro público em empresas que ameaçam quebrar e deixar milhões de americanos desempregados), qual será a agenda do governo Obama em relação a outros temas?

Na política externa democrata, poderemos ter maior aproximação dos EUA com a América Latina, deixada ligeiramente em segundo plano graças à “guerra contra o terror” no Oriente Médio? Retirada de tropas do atoleiro do Iraque criado por Bush, substituíndo o uso da violência pela diplomacia na região? Maior apreço pelos direitos humanos através do fechamento da base naval de Guantánamo (na qual foram cometidos abusos de militares norte-americanos a presos políticos)?Qual será o caminho a ser adotado para se retomar a hegemonia mundial, sobretudo na política?

E na política doméstica? A intenção de se utilizar dinheiro do contribuinte para evitar falência de empresas privadas ainda não foi bem digerida tanto por setores democratas (por considerar que o dinheiro dos cidadãos americanos ser usado para sanar o setor privado é um erro), quanto por setores extremamente republicanos ,entre eles a ala mais radical que viu esta intervenção não como um remédio temporário para um enfermo em estado crítico(segundo liberais avessos a “intervencionismos” na economia em momentos de estabilidade), e sim como uma intervenção que levaria os EUA a uma futura guinada para a esquerda que hipoteticamente os levaria a uma ditadura comunista (acredite se quiser!!).

O fato é que em todo mandato, a governabilidade é uma questão chave para que se possa governar com alguma tranquilidade, e neste caso atual, não vai ser fácil encontrar tal tranqüilidade dentro de casa. Na verdade,fora de casa Obama terá menos ainda.

OBS: Quais suas expectativas para o governo de Obama?Deixe sua opinião nos comentários!! :)


Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

ANTES TARDE DO QUE NUNCA!!

Fonte: http://leaderlock.blogs.sapo.pt/arquivo/ano%20novo.jpg

Pois é. Começa o ano de 2009, e a única coisa que consigo pensar, nesses primeiros dias do ano, é como 2008 passou VOANDO. Dizem que a cada ano, todos temos a sensação de que tudo ocorre mais rápido por termos um ritmo de vida mais acelerado do que todas as gerações anteriores. Há quem diga também que estamos de fato vivendo mais rápido e que o dia repartido em 24horas seria uma abstração, já que na prática o dia teria 16horas apenas(isto, claro, pra quem acredita na tal Ressonância Schumann).Outra corrente defende a teoria de que temos a sensação de que tudo anda mais rápido pelo excesso de informação a qual estamos expostos na atualidade,onde o tempo de um cafezinho com um pão de queijo ali na esquina separam a notícia quente da notícia defasada e que há muitíssimo pouco tempo embalaria o peixe de amanhã.

Enfim, seja por que motivo for, permanece em mim a impressão de que 2008 durou uns...hum...55minutos!!Apesar de essa sensação de que tudo aconteceu num estalar de dedos, o ano não foi monótono, pelo contrário, muita coisa aconteceu. Neste ano que se passou, Barack Obama ganhou a indicação do partido democrata e depois ganhou a eleição para presidência dos EUA, vencendo o republicano John McCain. No Brasil, eleições para prefeito e vereador mudaram(ou não) a cara das administrações de diversas cidades país afora.Aqui no Rio, venceu Eduardo Paes, numa disputa inusitada com Fernando Gabeira, que contrariando todos os prognósticos, consegui heroicamente empurrar a decisão do pleito para o segundo turno e perdeu no foto-sharp para seu oponente.

Na economia,uma crise financeira sem precedentes acometeu todo o planeta e a desaceleração da produção industrial causada pela mesma provocou falência de empresas outrora sólidas do setor financeiro e industrial, e o desemprego na casa dos milhões em todo o mundo, isso sem contar a diminuição na oferta do crédito e a subida dos juros. A novidade?Dessa vez, o epicentro da crise é num país CENTRAL do capitalismo (EUA), e não da periferia como havia sido na década de 1990(México,Rússia,Tigres asiáticos).O que de certa forma ajudou a economia nacional, que provavelmente ultrapassaria sua meta de inflação caso essa desaceleração forçada não tivesse atingido também o Brasil, embora essa pisada no freio traga prejuízo para a balança comercial, além da diminuição de investimentos em nosso país.

No esporte, o Brasil mais uma vez lutou como nunca e perdeu como sempre na monumental Olimpíada de Pequim, em agosto, trazendo da China mais decepções do que medalhas. Um mês antes, meu Fluminense deixou o título da Copa Libertadores escapar por entre os dedos dentro de casa após ter feito campanha fantástica ao longo da competição. No fim do ano, o Internacional venceu a Copa Sul-Americana se tornando o primeiro brasileiro a vencer o torneio, o São Paulo novamente ganhou o campeonato brasileiro e Felipe Massa perdeu o campeonato de F1 na última curva. Literalmente.

Quando parecia que mais nada estava por vir,chuvas prolongadas provocaram deslizamentos de terra e aumento no nível dos rios em Santa Catarina,causando a maior tragédia natural e humana da história recente do Brasil. É certo que muitos fatores contribuíram para tal, mas ao contrário do que se possa pensar de primeira, o fenômeno metereológico que causou as chuvas nada tem a ver com o tão alardeado aquecimento global, já que o mesmo ocorre com freqüência. Já sua intensidade...

Sim, tudo isso aconteceu em 2008 e enquanto isso, o blog esteve no estaleiro, tal qual um doente terminal, e o pior, sem receber visitas!!hehehe Mas como nunca é tarde demais, o blog volta a ser reativado em 2009. A freqüência? Boa pergunta!! Mas é certo que o marasmo ao qual o blog foi submetido não irá novamente acontecer, nem que sejam posts pequenos, a lá “nota de rodapé”, este espaço estará mais ativo do que em 2008.
ADEUS ANO VELHO,FELIZ ANO NOVO!!

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

CHIPS NOS VEÍCULOS PAULISTANOS: MAIOR SEGURANÇA OU INVASÃO DE PRIVACIDADE?




Na semana passada, foi publicado no “Diário Oficial” de cidade de São Paulo, um decreto que cria e regulamenta o Fundo Municipal de Desenvolvimento do Trânsito (FMDT) e o Programa de Identificação Automática de Veículos (PIAV). A medida, de maneira simplificada, nada mais é que organizar um fundo com intuito de captar recursos para serem utilizados em iniciativas para melhorar o trânsito da capital paulista, através de investimentos em projetos diversos na área de trânsito.

Os projetos, que, em teoria, farão tudo aquilo que o motorista paulistano desejaria ver concretizado (melhoria da sinalização e de serviços de engenharia de trânsito, ações voltadas para a educação de trânsito, entre outras coisas), no entanto, ao invés de trazer alívio, têm sido fonte de desconfiança por parte dos mesmos, e de dor de cabeça para o governo do prefeito Gilberto Kassab (DEM). E justamente por causa do PIAV. O programa é polêmico, pois torna obrigatória a instalação (gratuita para os proprietários de automóveis, durante o licenciamento de seus carros) de uma espécie de “chip” em todos os veículos da cidade (trata-se, na verdade, de etiquetas eletrônicas com informações sobre o veículo – placa, Renavam e o número do chassi -) num prazo máximo de cinco anos. Seriam, ainda, instaladas cerca de 2500 antenas em todo o município, que, ao lerem as informações da etiqueta eletrônica, teriam acesso imediato aos dados disponíveis nos chips (o que facilitaria as ações de combate a furto e roubo de veículos e cargas e a seqüestros relâmpagos e roubos de automóveis, e também possibilitando a realização de “blitzes seletivas”, nas quais poderiam ser parados apenas os carros com situação irregular).




Até aí, tal fato não teria muito motivo para estardalhaço, uma vez que em outros lugares do Brasil, já são usados dispositivos eletrônicos semelhantes, a fim de evitar filas com o pagamento da tarifa apenas ao passar pela cabine de pedágios (no Rio de Janeiro, chama-se “Passe Expresso” e em São Paulo mesmo, já existe o ”Sem Parar”). O que está causando polêmica, na verdade, é o fato de já existir um sistema de “chips” semelhante a esse em frotas de veículos de outras cidades do mundo (Estocolmo, Londres e Cingapura são alguns exemplos), nas quais “coincidentemente” foi implantado o pedágio urbano algum tempo depois desse mecanismo de monitoramento do fluxo de carros em regiões centrais.

Tal fato deixa claro que a tecnologia pode tanto ser utilizada para melhor gerenciar o trânsito caótico de São Paulo quanto, em médio prazo, impor a seus motoristas uma eventual cobrança pela circulação em determinados pontos da cidade. Bastaria, portanto, escolher a finalidade a qual serviriam os “chips”, convertendo-os de mero instrumento de monitoramento do tráfego (através do monitoramento on-line do fluxo de veículos, permitindo á CET coletar dados sobre a necessidade de melhorias no trânsito de determinada localidade, por exemplo) em instrumento de taxação de veículos dentro do perímetro urbano.

A argumentação da prefeitura de que uma eventual cobrança de pedágio urbano não será colocada em prática na atual gestão de Kassab, e de que tal sistema teria apenas como objetivo melhorar o controle da maior frota do país não é convincente na opinião de diversos especialistas, que acreditam que este seria o primeiro passo para uma implantação do pedágio urbano, sim, além de, obviamente, ser útil para o monitoramento de veículos com situação irregular (IPVA atrasado, por exemplo) e assim aumentar sua arrecadação através de fiscalização mais eficiente, elevando ainda mais o já fabuloso orçamento do município. O grande contingente de veículos (apenas para fazer uma comparação, a cidade de São Paulo possui em sua frota, uma quantidade de veículos maior que a do Estado do Rio de Janeiro na sua totalidade) poderia instantaneamente se transformar em um manancial infinito de arrecadação, em uma situação hipotética de implementação de pedágio na cidade e, não duvido muito, faria disso uma nova máquina de aumento de recursos oriundos do contribuinte .

O fato que me chamou a atenção, indo um pouquinho mais além nessa questão, na verdade foi o de que, em nenhum momento, dentro dessa discussão sobre a resolução da prefeitura paulistana de implantar o PIAV, questiona-se o direito (ou não) que a mesma teria de monitorar o destino de milhões de cidadãos em suas rotinas diárias com seus veículos, e nem mesmo até onde será respeitado o direito à privacidade de cada um dos condutores da cidade de São Paulo, de não terem seus itinerários monitorados por esse aparato eletrônico. Estaria a paranóia por segurança (em que todos se sentem mais seguros ao verem câmeras por todo canto, ao invés de sentir-se acuados por tanto monitoramento em todo lugar, como seria o normal) de todos, sobretudo nas cidades grandes do Brasil, sobrepondo-se ao questionamento do limite entre a atuação do Estado no cotidiano dos indivíduos e a vida dos cidadãos, em sua esfera mais privada?
E mais: vale tudo para receber(ou ao menos ter a sensação de que isso ocorre de maneira efetiva)mais segurança, até mesmo monitorar o ir e vir de motoristas em seus veículos? Seria esta a forma mais adequada de lidar com problemas relacionados ao trânsito e aos roubos e furtos de veículos?Talvez o tempo nos traga as respostas.

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

E VEIO A "SUPER-TERÇA"



E enfim veio a “super-terça”. E veio trazendo tanto surpresas como confirmações de previsões feitas na véspera, sem que houvessem guinadas inesperadas por parte de nenhum dos dois partidos que estão realizando suas eleições. Mesmo escrevendo rigorosamente uma semana de atrasado sobre o tema, continuo com a impressão de que, se por um lado a disputa no lado republicano parece estar praticamente resolvida, (não exatamente pela “super-terça” em si, mas por desdobramentos da mesma nos dias seguintes), por outro, no pleito democrata, continua tudo como estava, com Obama e Hillary muito próximos, na prévia mais equilibrada dos últimos tempos.

No lado republicano, a permanência de John McCain na frente e a dificuldade de Mitt Romney de se aproximar do primeiro fez com que o mesmo desistisse de sua candidatura. Empresário rico e que havia despejado milhões de dólares em sua campanha, Romney simplesmente não estava conseguindo bom desempenho em Estados onde contava com votos, e nos demais teve desempenho também abaixo do esperado. Ao perceber que não havia mais possibilidade concreta de virar o jogo e nem mesmo de se aproximar de McCain, o candidato jogou a toalha.

Não se sabe ao certo ainda se a decisão teria sido tomada graças ao desempenho abaixo das expectativas na "super-terça" (o que daria a entender que Romney, caso tivesse reduzido significativamente a distância, estaria firme e forte na sua candidatura até hoje) ou se os altos custos de sua campanha já não estariam sendo compensadores frente à sua posição na prévia republicana mesmo antes da grande votação de mais de 20 Estados americanos ocorrida terça-feira última .

Por outro lado, McCain, que já tinha vantagem segura de Romney, segue na liderança, mas nem por isso segue tranqüilo. Sua posição dentro do partido democrata (considerada bastante liberal por muito) tem recebido críticas internas em virtude de seu posicionamento frente a questões como a imigração, por exemplo. Sua postura branda e oposta a uma expulsão sumária de imigrantes ilegais do território americano é vista como não-alinhada com o que, em teoria, espera-se de um democrata mais ortodoxo. As vaias recebidas pelo mesmo de conservadores de seu partido em Washington (justamente no momento em que tocou no assunto) podem ser entendidas como indicativo de que embora McCain já possa ser considerado de forma virtual o candidato Republicano à presidência, o Senador não é unânime internamente entre os seus correligionários.

Já nas eleições democratas, o que impera é o equilíbrio. Embora Hillary Clinton tenha vencido em Estados grandes e importantes( leia-se com muitos delegados) como Nova Iorque e Califórnia, isto não foi o suficiente para que a senadora abrisse distância de Barack Obama. O não-distanciamento da candidata mesmo com vitórias importantes se deve ao fato de Obama ter habilidosamente conseguido compensar o peso de ser derrotado em locais com muitos delegados, mas ter se saído melhor que Hillary em Estados menores, o que permitiu ao sulista manter-se na briga.

Números não-oficiais dão vantagem à Obama na maioria das pesquisas realizadas nos Estados Unidos até então(sendo a CNN uma das únicas exceções), mas ainda que um dos dois tome a frente, ou que haja alternância, nada disso será relevante a menos caso a distância de votos permaneça pequena. A grande decisão democrata, ao que tudo indica, ocorrerá mesmo em Denver, no Estado do Colorado.

Diante do fim próximo das prévias, já surgem, na reta final das mesmas, novas questões, que se referem ao que pode estar por vir ao fim deste processo. Como o Partido Democrata pode fazer uso de um desgaste natural de dois mandatos republicanos na hora de enfrentar o candidato republicano(provavelmente McCain)? Não custa lembrar que além dos oito anos de administração republicana(tida por muitos como incompetente) nos EUA, a insatisfação de muitos americanos e o conseqüente desejo de “mudança” deve-se também ao fato de a política externa norte-americana estar sendo considerada desastrosa, com críticas oriundas até de dentro dos EUA.

Por sua vez, como poderia o Partido Republicano aproveitar a indecisão na prévia democrata para se preparar melhor para a disputa à presidência? Observar os dois possíveis oponentes, e ganhando tempo para traçar sua estratégia, enquanto do outro lado, todos os esforços ainda estão voltados pra resolução da indicação da vaga do partido sem sombra de dúvida parece uma boa estratégia se fosse somente essa a preocupação republicana. Mas até dentro do partido, existem vozes dissonantes e críticas às posições de McCain(o grande favorito à vaga). Não se pode também ignorar o fato de que ambos os lados(Republicanos e Democratas), ao disputarem o cargo de presidente dos EUA, terão que se confrontar com a crise imobiliária do país e também com a ameaça de recessão de sua economia.

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

ELEIÇÕES PRIMÁRIAS NORTE-AMERICANAS ENTRAM NA RETA FINAL





Nesta terça-feira, dia 5 de fevereiro, enquanto muitos por aqui ainda estarão em ritmo de samba e carnaval, serão realizadas nos Estados Unidos eleições primárias em mais de 20 Estados americanos. O dia, que está sendo chamado de “super-terça” por muitos analistas, será fundamental para que aponte qual será a tendência de escolha em relação ao candidato à presidência, tanto do lado democrata quanto do republicano. Embora ainda não se possa definir com precisão quem serão os escolhidos, na terça, a maior parte dos votos em disputa nos Estados estará em jogo, e quem se sair melhor, obviamente terá mais chances de vencer a disputas internas dos partidos e assim, consolidar sua candidatura à presidência.

No lado Republicano, a disputa está menos acirrada, com o senador John McCain(um veterano de guerra no Vietnã e prisioneiro de forças comunistas nesse período, e que conta com a simpatia de muitos americanos – sobretudo de independentes - somente por este fato) tendo confortável distância em relação à seu oponente Mitt Romney nas prévias, o que o deixa com o caminho mais fácil do que do lado Democrata. Graças à desistência de Rudolf Giuliani, ex-prefeito da cidade de Nova Iorque, e ao desempenho apenas modesto de Mike Huckabee, neste momento estão no páreo de maneira efetiva apenas McCain e Romney.


O primeiro, além de contar com o apoio de Giuliani(que cometeu erro grosseiro ao apostar todas as suas fichas somente na Flórida e ignorar a peregrinação dos Democratas pelos demais Estados onde já ocorreram prévias), é o único entre todos os candidatos das duas prévias que possui reais chances de já se sagrar candidato ao governo dos EUA com antecedência. O prognóstico favorável a seu favor deve-se à larga vantagem obtida em prévias anteriores onde obteve maioria dos votos de delegados por onde passou.

McCain pode também ser otimista também devido à perspectiva de alcançar mais votos na “super-terça” do que Romney. O candidato Mike Huckabee, que já foi Governador do Estado de Arkansas, também concorre, mas sabe que já não tem chances de vitoria, limitando-se a roubar votos dos dois principais concorrentes, e assim demonstrar para o futuro vencedor que pode ser futuramente uma sólida opção para vice-presidente republicano.

No lado Democrata, a disputa encontra-se polarizada em dois candidatos, Hillary Clinton e Barack Obama. Ao contrário do que ocorre nas prévias republicanas, o pleito está mais equilibrado, de tal maneira que nem mesmo as pesquisas de intenção de voto feitas na véspera dão à analistas políticos tranqüilidade para apontar qual dos dois pode se sair vitorioso amanhã. Isto porque as pesquisas costumam ser realizadas também em Estados que não fazem parte da “super-terça”,o que de certa forma “mascara” o que pode estar por vir amanhã, além do fato de o número de votos não signifcar necessariamente vitória do candidato (no fim das contas, tudo se decide nos votos dos delegados).


A senadora virtualmente encontra-se em melhor situação que Obama, já que o maior número de votos do jovem senador do Estado de Ilinois em relação à mesma não podem ser vistos como indicativo de vantagem tão grande. Isto porque alguns Estados importantes e que possuem muitos delegados (como a Califórnia, por exemplo) podem tanto ajudar a abrir distância, em caso de vitória de Obama, quanto permitir ainda mais a aproximação de Hillary, em caso de vitória da Senadora.

Obama tem como grande trunfo em sua campanha até então o discurso supra-partidário (que tem rendido muitas adesões por parte dos independentes – aqueles que não se consideram nem democratas nem republicanos - ) e o fortalecimento de sua imagem como “o candidato da mudança”, e não como do “candidato dos negros”, o que poderia fortalecê-lo ainda mais entre os eleitores afro-americanos mas, por outro lado, poderia dificultar sua aceitação em outros ambientes, sobretudo entre os conservadores.

Hillary, por sua vez, tem como trunfos o fato de ser a primeira mulher com reais chances de concorrer à presidência da república (as mulheres são uma grande força em sua campanha, tendo o voto feminino forte aliado da candidata) e o fato de ter seu nome(e sua imagem) associada ao do ex-presidente Bill Clinton, que , escândalos à parte, ainda tem sua imagem consolidada no imaginário de muitos norte-americanos como “o presidente da prosperidade”(numa óbvia alusão ao período de crescimento econômico e prosperidade nos dois governos de Bill Clinton, na década de 1990).
E prosperidade é tudo aquilo que muitos americanos desejam neste começo de 2008, ainda mais diante da ameaça de recessão de sua economia. A sorte está lançada.

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

SERÁ QUE VAI CHOVER??


Não foi por acaso que escolhi para o título deste post uma frase que dá nome a uma canção de Herbert Vianna. Nesses últimos dias, voltou à tona a preocupação de acontecer um desabastecimento de energia novamente no Brasil. Como todo mundo sabe, a principal matriz energética do país é a hidrelétrica, e por isso, a cada período de estiagem prolongado, o nível de água disponível para geração de energia diminui e torna a geração de energia elétrica mais complicada. Sempre que ocorre um longo período de falta de chuvas, alguém aparece e diz que pra contornar essa situação, “a gente tem que pedir ajuda a São Pedro”, em alusão à óbvia necessidade de chuvas para que suas águas mantenham em ordem a produção de energia elétrica no Brasil, ou então agradecendo porque “ as chuvas estão caíndo, graças a Deus.”

Mas não sei se apenas pedir auxílio aos céus(em todos os sentidos) é a solução nesses casos, acho que acreditar em milagres nessa hora é menos válido do que acreditar em planejamento, nesse caso, planejamento energético. No princípio da década, já sofremos com desabastecimento de energia que, além de fazer nosso PIB crescer de forma anêmica, também obrigou àqueles que não diminuíram o consumo de energia a pagar “sobretaxa” (talvez a única coisa boa nisso tenha sido ganhar a consciência do quanto estávamos acostumados a desperdiçar energia).

E hoje, menos de uma década depois do ocorrido, nos vemos novamente diante de um panorama muito semelhante, graças ao crescimento da oferta de energia ser inferior ao aumento do consumo da mesma. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética(EPE), só em 2007, o consumo aumentou 5,4% no ano passado, enquanto suas previsões indicam um aumento de 5,2% para este ano. Isto que significa que o crescimento na demanda de energia para 2008 será praticamente a mesma do ano passado e que caso a geração de energia não seja capaz nem mesmo de se manter no mesmo patamar de 2007, um colapso no setor energético pode estar a caminho.

E como se não bastasse o prognóstico difícil, não é só a matriz hidrelétrica a preocupação do Ministério de Minas e Energia. Justamente por temer redução do nível de água dos reservatórios e uma conseqüente diminuição da geração de energia elétrica, o governo busca outras formas de geração de eletricidade. A decisão de colocar em funcionamento usinas termelétricas(que ficam em prontidão para gerar energia em caso de necessidade, como uma espécie de “plano B”) é um indicativo de que a matriz hidrelétrica no momento não se mostra capaz de suprir toda a demanda brasileira por energia.

E ao mesmo tempo, o abastecimento de gás natural, antes estimulado pelo governo(que no passado convenceu às empresas que seria vantajoso converterem suas máquinas para funcionarem movidas pelo gás), já não é mais visto como o mesmo entusiasmo de outrora. O gás, que vem quase que em sua totalidade da Bolívia (e que sofre constantes aumentos no mercado brasileiro, desde a nacionalização de refinarias da Petrobras no país, no ano passado) vem sendo substituído pelo óleo por diversas indústrias(que estão sendo devidamente ressarcidas pela Petrobras, que paga às mesmas a diferença entre os custos do abastecimento à gás e o feito por óleo).

Diante de tal panorama, até mesmo a estatal abrirá mão de parte do gás natural que utiliza internamente por outros insumos, como nafta ou óleo para liberá-lo para as termelétricas, tamanha a escassez do mesmo. Ainda assim, algumas termelétricas, como a de Cuiabá, que tem tido problemas para receber gás boliviano, têm sido mantidas graças ao uso de óleo por determinação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE ). O atual momento, de apreensão por parte dos que temem o desabastecimento, acaba sendo muito oportuno para que várias outras formas de geração de energia venham a ser discutidas no Brasil, desde energias “limpas”(como a eólica) até as mais controvertidas e combatidas por ambientalistas, como a Nuclear.

O fato é que o Governo já está convencido de que não pode mais sustentar seu desenvolvimento e seu crescimento econômico baseado em apenas uma fonte de geração de energia, necessitando de diversificação na matriz energética brasileira. Creio que resolver esta equação, ou ao menos minimizar os riscos de desabastecimento de energia elétrica, será o grande desafio de Edison Lobão, que na última segunda-feira(dia 21) assumiu o cargo de ministro de Minas e Energia. Já na cerimônia de posse, Lobão descartou de maneira categórica a possibilidade de um novo “apagão”, afirmando que o Ministério tem tomado todas as providências para que o desabastecimento não aconteça. É esperar para ver.